A última pena de morte no Brasil

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Em 1874, no município alagoano de Pilar, os escravos Vicente, Prudêncio e Francisco assassinaram o Capitão João Evangelista de Lima, no Hotel Central, e sua esposa Josepha Marta de Lima, no Sítio Bonga.

Após o brutal episódio, Vicente fugiu para o Engenho Hortelã, em Marechal Deodoro, onde foi capturado. Prudêncio e Francisco fugiram para o Monte Pavão, em Pesqueira, no Estado de Pernambuco. Prudêncio foi morto pela Polícia e Francisco foi aprisionado.

Instaurada a apuração judicial, que durou um longo período de 2 anos, Vicente e Francisco foram condenados à morte pelos crimes que praticaram, motivo que os levou a encaminhar um “pedido de graça” ao Imperador Dom Pedro II.

Com o julgamento final do Imperador, restou ao escravo Vicente a pena perpétua de trabalhos forçados (pena das galés), que obrigava o réu a atividades exaustivas, portando argolas e correntes nos pés.

Francisco, por sua vez, teve o seu pedido negado, sendo condenado à morte na forca em 28 de abril de 1876, no Sítio Bonga, mesmo local onde ocorreu um dos assassinatos.

O cumprimento da sentença atribuída a Francisco, segundo as pesquisas do historiador Felix Lima Júnior, põe fim à execução judicial no Brasil, pois pode ser considerada como a última pena de morte aplicada legalmente no país.

Anualmente, no dia 28 de abril, a Casa da Cultura do município de Pilar promove um espetáculo teatral sobre o tema, reconstituindo a trajetória do escravo Francisco até a forca que foi reerguida, desde 2001, no Sítio Bonga.

Categoria: Artigos, Destaques, História

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